{"id":88,"date":"2024-01-03T09:56:30","date_gmt":"2024-01-03T12:56:30","guid":{"rendered":"https:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/?p=88"},"modified":"2024-01-03T09:56:30","modified_gmt":"2024-01-03T12:56:30","slug":"eja-no-brasil-breve-historico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/eja-no-brasil-breve-historico\/","title":{"rendered":"EJA no Brasil: breve hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-300x200.jpg\" alt=\"Na imagem, h\u00e1 um cen\u00e1rio de sala de aula onde adultos est\u00e3o sentados em uma mesa, aparentemente envolvidos em um ambiente de aprendizado. Uma mulher em primeiro plano, com cabelos loiros e \u00f3culos, veste uma blusa listrada e segura uma caneta, provavelmente anotando no bloco \u00e0 sua frente. No fundo, outra mulher com a m\u00e3o levantada, sugere que est\u00e1 fazendo uma pergunta ou participando ativamente, est\u00e1 sorrindo. O ambiente parece tranquilo e prop\u00edcio para aprendizado ou colabora\u00e7\u00e3o, com livros e pap\u00e9is sobre a mesa indicando uma atmosfera de estudo. \" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-medium wp-image-90\" srcset=\"http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-300x200.jpg 300w, http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-768x512.jpg 768w, http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-1536x1024.jpg 1536w, http:\/\/exlibriseditorial.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/pessoas-de-tiro-medio-estudando-em-sala-de-aula-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/> Como diz o pr\u00f3prio nome, a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) \u00e9 uma modalidade de ensino voltada para pessoas que n\u00e3o puderam frequentar o Ensino Fundamental e o Ensino M\u00e9dio na idade ideal. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior desigualdade social no mundo, motivo pelo qual a implanta\u00e7\u00e3o da EJA sempre encontrou desinteresse e at\u00e9 resist\u00eancia, como veremos a seguir.<br \/>\n<strong>Imp\u00e9rio e Rep\u00fablica Velha<\/strong><br \/>\nNa imagem, h\u00e1 um cen\u00e1rio de sala de aula onde adultos est\u00e3o sentados em uma mesa, aparentemente envolvidos em um ambiente de aprendizado. Uma mulher em primeiro plano, com cabelos loiros e \u00f3culos, veste uma blusa listrada e segura uma caneta, provavelmente anotando no bloco \u00e0 sua frente. No fundo, outra mulher com a m\u00e3o levantada, sugere que est\u00e1 fazendo uma pergunta ou participando ativamente, est\u00e1 sorrindo. O ambiente parece tranquilo e prop\u00edcio para aprendizado ou colabora\u00e7\u00e3o, com livros e pap\u00e9is sobre a mesa indicando uma atmosfera de estudo.<br \/>\nA princ\u00edpio, a Constitui\u00e7\u00e3o Imperial de 1824 oferecia instru\u00e7\u00e3o m\u00ednima apenas para homens livres e libertos, excluindo os escravizados. Em 1879 foi proposta uma reforma do ensino que institu\u00eda um curso para adultos com carga hor\u00e1ria de 2 horas di\u00e1rias no ver\u00e3o e 3 horas no inverno.<br \/>\nA chegada da rep\u00fablica trouxe poucas iniciativas efetivas para a educa\u00e7\u00e3o de adultos. Em 1890, uma legisla\u00e7\u00e3o previa cursos noturnos de instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Tais medidas eram implementadas por associa\u00e7\u00f5es civis e at\u00e9 podiam ser executadas em estabelecimentos p\u00fablicos, mas sem custeio governamental.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 1920, houve tentativas sem sucesso de implanta\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o para adultos por causa dos temores da elite brasileira. Naquela \u00e9poca, o direito ao voto era limitado aos alfabetizados. Portanto, iniciativas de alfabetiza\u00e7\u00e3o ampliariam o col\u00e9gio eleitoral com eleitores das camadas menos favorecidas. O medo da elite era o de que mais eleitores pobres colocariam pol\u00edticos menos alinhados aos interesses dela nos cargos representativos.<br \/>\n<strong>Da Era Vargas ao regime militar<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s a \u201cpr\u00e9-hist\u00f3ria da EJA\u201d, o Brasil entrou na Era Vargas, cuja Constitui\u00e7\u00e3o de 1934 afirmava que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito de todos, incluindo os adultos, e deveria ser gratuita e obrigat\u00f3ria. Com pa\u00eds cada vez mais urbanizado e com uma sociedade cada vez mais industrial, era necess\u00e1ria m\u00e3o de obra qualificada.<br \/>\n\u00c9 com esse esp\u00edrito que a Lei Org\u00e2nica do Ensino Prim\u00e1rio (1946) defendeu a cria\u00e7\u00e3o do curso prim\u00e1rio supletivo de dois anos de dura\u00e7\u00e3o. Paralelamente, campanhas contra o analfabetismo espalharam-se no meio rural, como a Campanha de Educa\u00e7\u00e3o de Adolescentes e Adultos (1947). Ela previa um processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses, seguido de dois per\u00edodos de sete meses de dura\u00e7\u00e3o. Tal iniciativa, assim como a Campanha Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Rural (1952), terminaram em 1963.<br \/>\nNo come\u00e7o da d\u00e9cada de 1960, o meio rural tinha forte presen\u00e7a na sociedade civil, seja em movimentos sociais (Centros de Cultura Popular, da UNE), seja em grupos religiosos (Movimento de Cultura Popular da CNBB). No final da d\u00e9cada, com o golpe civil-militar, a configura\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio mudou. Em 1967, foi iniciado o Movimento Brasileiro de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (Mobral), com o intuito de erradicar o analfabetismo com educa\u00e7\u00e3o continuada de adolescentes e adultos.<br \/>\n<strong>Nova Rep\u00fablica<\/strong><br \/>\nO Mobral deu lugar, em 1985, para a Funda\u00e7\u00e3o Educar, que, por sua vez, permaneceu at\u00e9 1990. Seu t\u00e9rmino foi um ajuste necess\u00e1rio para que o sistema nacional de ensino estivesse alinhado com a Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de 1988.<br \/>\nFinalmente, em 1996, ordenamentos jur\u00eddicos puseram fim ao uso do termo \u201csupletivo\u201d, que posicionava a educa\u00e7\u00e3o de adultos em patamar inferior \u00e0s demais modalidades de ensino. Foi nesse contexto que nasceu a express\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos para designar os cursos destinados a pessoas mais velhas. Esses estudantes, por diversas raz\u00f5es, precisam de um curso espec\u00edfico para alcan\u00e7arem os demais cidad\u00e3os que tiveram acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na idade ideal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como diz o pr\u00f3prio nome, a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) \u00e9 uma modalidade de ensino voltada para pessoas que n\u00e3o puderam frequentar o Ensino Fundamental e o Ensino M\u00e9dio na idade ideal. 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